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Léo Bortolin fala sobre diferenças regionais que descobriu durante visitas aos municípios

05/04/2026, 22:25:00
Por Da Redação - Airton Marques

Léo Bortolin fala sobre diferenças regionais que descobriu durante visitas aos municípios

O ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Léo Bortolin (MDB), afirmou que as diferenças regionais em Mato Grosso impõem desafios distintos às gestões municipais e defendeu que políticas públicas considerem as particularidades de cada localidade. A declaração foi feita durante entrevista ao PodOlhar.

Segundo ele, a experiência à frente da entidade permitiu ampliar a compreensão sobre a realidade dos municípios, especialmente os de menor porte. “Muitas vezes a gente olhava e falava que era falta de gestão. Hoje eu entendo que, em muitos casos, é falta de condição”, afirmou.

Bortolin citou o saneamento básico como exemplo. De acordo com ele, metas nacionais não refletem a realidade de municípios pequenos, que não despertam interesse econômico para concessões privadas. “Quando você olha um município que gera pouco resíduo, não é atrativo para o mercado. Então não é falta de gestão, é falta de condição”.

Ele também mencionou dificuldades logísticas enfrentadas em regiões com grande extensão territorial. Em municípios como Cotriguaçu, afirmou, há milhares de pontes de madeira e longas distâncias para acesso a serviços básicos, o que impacta diretamente áreas como educação.

“Tem criança que percorre duas horas para ir e duas horas para voltar da escola. É uma realidade que precisa ser considerada”, afirmou.

O ex-presidente da AMM destacou ainda diferenças culturais e econômicas entre regiões do estado, influenciadas por processos migratórios distintos. Segundo ele, essas características interferem diretamente no desenvolvimento local e na definição de vocações econômicas. “Mato Grosso não pode ser tratado com a mesma regra para todos os municípios”, disse.

Bortolin defendeu o uso de soluções consorciadas para enfrentar limitações estruturais, principalmente em áreas como gestão de resíduos sólidos e saneamento, além de maior integração entre estado e municípios para atração de investimentos.

Ele também apontou a necessidade de políticas que evitem o esvaziamento populacional de cidades menores, com incentivo à permanência de jovens por meio de oportunidades de estudo e emprego. “Ser prefeito de uma cidade pequena e pobre é muito diferente de ser prefeito de uma cidade com capacidade de investimento”, afirmou.