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Advogado afirma que prisão de pai de adolescente é desnecessária

24/07/2020, 19:49:00
Por Da Redação - Max Aguiar

Advogado afirma que prisão de pai de adolescente é desnecessária

"Desnecessário". Assim avaliou a defesa do empresário Marcelo Cestari, patrocinada pelo advogado Ulisses Rabaneda, sobre o pedido do advogado Hélio Nishiyama, para que a Justiça decretasse a prisão, sob a justificativa que Cestari não estaria em casa e nem no endereço do trabalho para ser intimado sobre pedido de majoração de fiança.

Marcelo é proprietário da casa no Alphaville onde aconteceu a morte de Isabele Guimarães Ramos, 14 anos, e pai da adolescente de mesma idade que teria disparado acidentalmente. Ele não foi encontrado pelo oficial de Justiça. O advogado Ulisses Rabaneda disse que o motivo é apenas por uma questão de que ele e a família ainda não estão preparadas para voltar ao local do crime.

"Ele está em Cuiabá e disposto a contribuir. Ele não foi chamado para depor de novo, mas pedir prisão é desnecessário. Acredito que não voltar pra casa é uma coisa de sentimento. Eles não estão preparados para voltar agora, mas em breve estarão no endereço", disse Rabaneda ao Olhar Direto.

Oficial de Justiça

“Certifico e dou fé que não foi possível intimar Marcelo Martins Cestari em razão de ter me dirigido a todos os endereços indicados e após as formalidades legais fui informada pelo segurança Cristóvão que estava de plantão na data de ontem (21/07/2020), que desde o dia do ocorrido não tem ninguém no imóvel, que o Sr. Marcelo e sua família não retornou mais no condomínio”, afirma trecho do documento emitido pelo oficial de Justiça.



“Fui também na Avenida General Melo 351 no Bairro Dom Aquino e lá é sede da empresa Loja de Artigos Militares Uniformes e Equipamentos Táticos e lá fui informada pelo Sr. Fernando Teodoro que o Sr.Marcelo não trabalha lá, que apenas ia lá como qualquer outro cliente e que não sabe onde posso encontrá-lo”, complementou o oficial.

O pedido de prisão

A peça apresentada pelo advogado Helio Nishiyama, que patrocina a defesa da família de Isabele Ramos, mostra que, na quarta-feira (22), a Justiça determinou a intimação do indiciado para se manifestar sobre o pedido de fiança. Porém, o oficial, ao dar cumprimento à determinação do magistrado, certificou que não localizou o empresário.

Por conta disto, Nishiyama entende que a mudança de residência sem prévia autorização da autoridade judicial configura quebra de fiança. Ele ainda apresenta dois novos endereços onde Marcelo Cestari poderia ser encontrado.

O pedido do advogado ao juízo é para que seja expedido novo mandado de intimação e, caso ele não seja encontrado, sugere que seja decretada a quebra de fiança e a prisão preventiva ou que sejam impostas novas medidas cautelares, sem sem prejuízo da majoração do valor da fiança, o que já foi requerido anteriormente.

O caso

Segundo informações da Polícia Judiciária Civil, por volta das 22h30 do dia 12 de julho, Isabele já foi encontrada sem vida no banheiro da casa. A amiga informou à Polícia que efetuou o disparo acidentalmente contra o rosto de Isabele.

Isabele morreu com um tiro na cabeça (entrou na região da narina e ficou alojado na nuca), que partiu de uma pistola PT 380, que teria caído e disparado, de forma acidental, dentro do condomínio Alphaville I, no bairro Jardim Itália, em Cuiabá.

Por conta disso, um inquérito foi instaurado. Pelo menos sete pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil. O caso é investigado pelas delegacias Especializada do Adolescente e de Defesa e Direitos da Criança e do Adolescente (DEA e Deddica), com os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi.